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quarta-feira, junho 20, 2007


Big Sugar
Sugar in My Coffee



Os Big Sugar arrastaram o rock, reggae, blues e os ritmos das Caraíbas até ao frio do círculo polar e aos gélidos lagos do Canadá. Aqui têm nascido algumas das melhores bandas e intérpretes das últimas duas décadas, umas em luminosa combustão como os Arcade Fire, outras em secretos quartos iluminados na noite como os The Tea Party. Voltando aos Big Sugar, o seu percurso assemelhou-se ao de um comboio percorrendo diferentes paisagens, do qual entravam uns e saíam outros, mas mantendo sempre o mesmo condutor (Gordie Johnson). Daqui nasce a sua capacidade de mutação e viajar entre diferentes géneros musicais em temas como singulares como “Turn the Lights On”, “If I Had My Way”, “All Hell for a Basement” e “Nashville Grass”. A versatilidade efémera desta banda pode ser apreciada no seu duplo CD - Hit & Run – que reúne os melhores temas da sua “Ride like Hell” existência.

terça-feira, maio 08, 2007


Jennifer Gentle - "Liquid Coffee" 





Os Jennifer Gentle dizem ter encontrado o seu nome no tema “Lúcifer Sam” dos Pink Floyd, ainda com Syd Barrett, banda pela qual assumem aliás enorme devoção, e são um improvável duo italiano que se lança em viagens ora oníricas, barrocas, divertidas, psicóticas, psicadélicas, futuristas… está lá tudo. A folk transalpina arrasta as vacas e suas paisagens pastoris em descidas psicadélicas conduzidas pela voz pueril e ingénua de Marco Fasolo. O tema “Liquid Coffee” (que podem ouvir acima) faz parte do álbum “Valende” que cria paisagens com uma profusão de notas que se elevam e volteiam, mesmo que seja através de instrumentos improváveis como garrafas de plástico ou então erguendo uma tal muralha sonora que fica ecoando dentro de nós como uma explosão. Por agora, vá lá cima e delicie-se com o café líquido que é servido. Como os próprios se apresentam no seu sítio na Internet

«Jennifer Gentle comes from Padova, a foggy city in Northern Italy, not so far from Venice. She was born in early 2000 and her short life has been both quiet and tumultuous, at the same time. Actually, Jennifer Gentle is not a girl, but a band formed by two guys: Marco Fasolo, 23, who sings and plays guitar, and Alessio Gastaldello, 30, thinking drummer.»

domingo, abril 15, 2007

"One More Cup Of Coffee"



Não, não é uma versão de um tema dos White Stripes, mas sim o original de Robert Allen Zimmerman, ele mesmo, Bob Dylan. Se “existem artistas que falam por uma geração” (assim o apresentou Jack Nicholson no Live Aid de 1985), então Bob Dylan é um deles, tornando-se um símbolo da cultura pop e de algo que, talvez, se possa denominar como “folk music revival”. A sua longa obra (mais de 40 discos que lançou durante os mais de 40 anos de carreira) transporta heranças que de algum modo também ajudaram a fundar a cultura contemporânea nos EUA e na Europa. O músico-poeta tornou-se uma referência de engajamento político, contracultura, poesia e vanguarda. Os textos poéticos dão expressão a uma literatura de protesto surgida na década de 1960 seguindo os passos de Woody Guthrie, o tal que tinha uma “máquina de matar fascistas”, fazendo da canção um veículo e manifesto das reivindicações sociais. Foi a mistura do folk com o rock que marcaram a sua música e que o aproximaram dos movimentos artísticos e libertários dos anos 60 e 70.

No entanto, Bob Dylan, sempre permaneceu um anti-ídolo, escutado religiosamente por uns e olhado com indiferença por outros. Assim, “One more cup of coffee” é um convite para entrar no mundo nasalado da voz de Dylan, na rudeza de suas cordas vocais acompanhadas por uma guitarra arranhando poesia em temas carregados de imagens e metáforas, por vezes difíceis de compreender. Mas pode suceder que depois de entrar neste universo dificilmente queira sair. Esta canção é uma excelente porta de entrada para esse mundo com uma inspirada melodia em crescendo ao longo do tema e a interpretação carregada de Dylan contando a história....

sexta-feira, fevereiro 23, 2007


Serge Gainsbourg e Jane Birkin


Serge Gainsbourg


Para quem não conhece, este é o Serge de canções intemporais como "La chanson de Prévert", "La javanaise", "Initials B.B.", "Je t'aime... moi non plus" (um grande êxito num dueto erótico gravado com a actriz inglesa Jane Birkin, com quem viria a casar) ou "Ballade de melody Nelson". Talvez até já as tenha ouvido, sem saber a quem pertenciam. Gingando por diversos ritmos e estilos, o jazz, a pop, o electro-pop, o regae, expressão do homem contraditório, genial, "swingante" e da vida que levou. Viciado inveterado em cigarros, álcool, mulheres e versos polémicos, coleccionou escândalos e amantes durante toda a vida.

A atitude de dândi rebelde de Gainsbourg, na vida como na música, conquistou muitos admiradores e influenciou muitos músicos desde os anos 80 até hoje, se repararmos bem em bandas como os Pulp, Suede, Divine Comedy, My Bloody Valentine, Black Grape, St. Etienne, Air ou Pizzicato Five, veremos as marcas do “estilo” Gainsbourg. Outros como o ex-Faith No More Mike Patton ou Beck assumem claramente essas influências e admiração.

Serge Gainsbourg faleceu a 2 de Março de 1991, dizem alguns que de cansaço. Deixou-nos para lembrar esse momento o tema “Je Suis Venu Te Dire Que Je M´en Vais”, um poema de despedida escrito por Paul Verlaine e lindamente musicado por Gainsbourg.