Abel Neves é natural de Montalegre. Dramaturgo, poeta e romancista trabalhou na Comuna-Teatro de Pesquisa na área de dramaturgia e assistência literária entre 1979 e 1991; como actor participou em cerca de 20 produções teatrais nacionais e internacionais. É ainda autor de numerosas publicações, entre as quais se encontra ”Precioso”. Um romance “sobre o Portugal contemporâneo e a descoberta do sentido de ser português”, que conta a historia de Reinaldo, rico senhor de plantações de café, dono de diamantes e caçador, que é obrigado a abandonar a sua África no tempo da independência das colónias e retornar a Portugal. Corria o ano de 1977 quando os aldeãos da aldeia de S.Ponces, no interior de Portugal, se vêem confrontados com a chegada de um homem que transporta consigo a febre de um desejo oculto. Seguindo uma revelação que seu fiel ajudante e vidente Tadeu tivera em sonho, onde encontraria um filão de ouro. Mas a descoberta do ouro traz consigo também algo mais.
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sexta-feira, abril 27, 2007
domingo, abril 15, 2007
A tua respiração é doce
Teus olhos são como duas jóias no céu.
Tua postura é erecta, teu cabelo é macio
Na almofada onde repousas.
Mas eu não sinto afeição
Nem gratidão ou amor.
A tua lealdade não é para mim,
Mas para as estrelas do céu.
Mais um café para a estrada
Mais um café antes de eu partir
Descendo o vale...
Teu pai é um foragido
E um traficante
Ele ensina-te como seleccionar e escolher
E como usar uma lâmina.
Ele supervisiona o teu reino
E assim nenhum estranho se intromete
Tua voz treme e ele reclama
Por mais um prato de comida.
Mais um café para a estrada
Mais um café antes de eu partir
Descendo o vale...
Tua irmã vê o futuro
Assim como tu e a tua mãe.
Nunca aprendeste a ler ou escrever
Não há livros na tua estante.
E teu prazer não conhece limites
E tua voz soa como a de uma cotovia
Mas o teu coração é como um oceano
Misterioso e escuro.
Mais um café para a estrada
Mais um café antes de eu partir
Descendo o vale...
Bob Dylan
(O título original do tema é "One more cup of coffee" que poderíamos traduzir literalmente por "Mais uma chávena de café." Para aceder à letra original clique sobre o título lá em cima)
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sábado, março 24, 2007
O ritual do café
Estampa-se o sol em delicados raios
Sobre o mármore branco e liso da cozinha.
Suavemente me debruço e uma porta abro,
Recolho a chávena fina e o florido prato.
Ergo o meu braço e num voo livre,
No gesto de um armário desvendar,
Recolho o nobre pó de inebriante aroma.
Alongo a mão que a gaveta encontra,
E dela escolho, enfim, a colher mais bela,
Brilhante, pequena, com terno recorte.
Tudo coloco em ordem e harmonia:
O prato tranquilo e a expectante chávena,
Nesta, o torrado grão moído, de castanho intenso.
No açúcar rico, centro o meu cuidado,
A montanha branca transportando, pura,
Em bojuda prata que doce se inclina.
E luzem cristais em cascata linda!
Depois, a água borbulhante, quente,
A mistura inunda, dissolvendo-a
Em espirais de espuma que a colher adorna.
Café! Café! Precioso encanto!
Em dégagé devant te cumprimento,
Os meus braços lanço em acolhimento grato.
Da janela aberta me acerco então.
Tão bela é a vista que o Outono pinta no jardim!
Castanho da terra e verde das plantas unem-se
À água que brilha em bebedouro antigo.
Aspiro, feliz, da manhã tranquila, o seu odor
A quente café e à relva orvalhada.
Olho o céu e sorvo um gole, outro e outro.
E assim me quedo, por instantes longos.
Entre o prazer forte do café e a doçura da manhã
Mais um dia de vida se inicia!
Ilona Bastos nasceu no Brasil, São Paulo, mas vive em Portugal. É licenciada em Direito e exerce advocacia, mas expressa através da escrita uma outra face se si com publicação de textos destinados particularmente aos mais novos, mas não só, ou através de sites de histórias de encantar…
Estampa-se o sol em delicados raios
Sobre o mármore branco e liso da cozinha.
Suavemente me debruço e uma porta abro,
Recolho a chávena fina e o florido prato.
Ergo o meu braço e num voo livre,
No gesto de um armário desvendar,
Recolho o nobre pó de inebriante aroma.
Alongo a mão que a gaveta encontra,
E dela escolho, enfim, a colher mais bela,
Brilhante, pequena, com terno recorte.
Tudo coloco em ordem e harmonia:
O prato tranquilo e a expectante chávena,
Nesta, o torrado grão moído, de castanho intenso.
No açúcar rico, centro o meu cuidado,
A montanha branca transportando, pura,
Em bojuda prata que doce se inclina.
E luzem cristais em cascata linda!
Depois, a água borbulhante, quente,
A mistura inunda, dissolvendo-a
Em espirais de espuma que a colher adorna.
Café! Café! Precioso encanto!
Em dégagé devant te cumprimento,
Os meus braços lanço em acolhimento grato.
Da janela aberta me acerco então.
Tão bela é a vista que o Outono pinta no jardim!
Castanho da terra e verde das plantas unem-se
À água que brilha em bebedouro antigo.
Aspiro, feliz, da manhã tranquila, o seu odor
A quente café e à relva orvalhada.
Olho o céu e sorvo um gole, outro e outro.
E assim me quedo, por instantes longos.
Entre o prazer forte do café e a doçura da manhã
Mais um dia de vida se inicia!
Ilona Bastos nasceu no Brasil, São Paulo, mas vive em Portugal. É licenciada em Direito e exerce advocacia, mas expressa através da escrita uma outra face se si com publicação de textos destinados particularmente aos mais novos, mas não só, ou através de sites de histórias de encantar…
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segunda-feira, março 19, 2007

Cafés da Europa - Guia Café Creme
Cafés da Europa é um guia magnífico de centenas de Cafés percorrendo 90 cidades e 16 países. Uma obra singular e fascinante, não só para aqueles que viajam pela Europa, mas para todos os que gostam destes inevitáveis locais de encontro e desencontro, aqui poderão ver de forma pormenorizada a diversidade dos cafés europeus.
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sexta-feira, março 02, 2007

Café Babilónia
Mashra Mehran nasceu em Teerão de onde saiu quando surgiu a revolução iraniana. Foi viver com a família para a Argentina onde os seus pais tinham um café. Actualmente vive com o seu marido entre Brooklyn (EUA) e a Irlanda. O romance Café Babilónia marca a sua estreia na ficção. Resume-se assim o enredo desta obra: «A vila de Ballinacroagh recebe três novas moradoras muito especiais. Fugidas da opressão da Revolução Islâmica, três irmãs iranianas encontram refúgio na bela localidade irlandesa em busca de uma vida menos sofrida. Uma vez instaladas, abrem o Café Babilónia, onde dão a conhecer a exótica gastronomia tradicional persa. Mas nem todos os habitantes da vila se entusiasmam com o aparecimento das encantadoras mulheres e com o cheiro dos inebriantes temperos. Todos duvidam das suas intenções: as matronas temem pela sanidade dos maridos e Thomas McGuire, de quem todos têm receio na vila, insiste em encará-las como rivais e não lhes facilitará a integração.» Ainda na opinião da Fnac: «Uma suculenta comédia de costumes, recheada de humor e com salpicos mágicos de romance. A degustar lentamente!»
Mashra Mehran nasceu em Teerão de onde saiu quando surgiu a revolução iraniana. Foi viver com a família para a Argentina onde os seus pais tinham um café. Actualmente vive com o seu marido entre Brooklyn (EUA) e a Irlanda. O romance Café Babilónia marca a sua estreia na ficção. Resume-se assim o enredo desta obra: «A vila de Ballinacroagh recebe três novas moradoras muito especiais. Fugidas da opressão da Revolução Islâmica, três irmãs iranianas encontram refúgio na bela localidade irlandesa em busca de uma vida menos sofrida. Uma vez instaladas, abrem o Café Babilónia, onde dão a conhecer a exótica gastronomia tradicional persa. Mas nem todos os habitantes da vila se entusiasmam com o aparecimento das encantadoras mulheres e com o cheiro dos inebriantes temperos. Todos duvidam das suas intenções: as matronas temem pela sanidade dos maridos e Thomas McGuire, de quem todos têm receio na vila, insiste em encará-las como rivais e não lhes facilitará a integração.» Ainda na opinião da Fnac: «Uma suculenta comédia de costumes, recheada de humor e com salpicos mágicos de romance. A degustar lentamente!»
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domingo, fevereiro 18, 2007

«A Europa é feita de cafetarias, de cafés. Estes vão da cafetaria preferida de Pessoa, em Lisboa, aos cafés de Odessa frequentados pelos gangsters de Isaac Babel. Vão dos cafés de Copenhaga, onde Kierkegaard passava nos seus passeios concentrados, aos balcões de Palermo […] Desenhe-se o mapa das cafetarias e obter-se-á um dos marcadores essenciais da ‘ideia de Europa’.» Assim inicia George Steiner este seu breve e surpreendente ensaio, A Ideia de Europa. A ideia que cada um faz dela e pode fazer de si mesmo como europeu, uma Europa também de locais e espaços de viagem e encontro, ou talvez …
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sábado, janeiro 27, 2007

Bem-vindo(a), esta será a mesa do nosso Café Literário, o espaço que reservamos para falar de poetas, romancistas, músicos e outros mais que a seu tempo serão convidados a cá entrar, mas sobretudo dos seus textos, das palavras, dos sons e até dos odores de modo a que estes se misturem com os do café.
Samba do Café
Para fazer um bom café, meu bem
Como se faz, lá no Brasil
Precisa pôr tudo a ferver, meu bem
Como se põe, lá no Brasil
Uma frutinha vermelha
Que as moças colhem no pé
E quando é bem torradinho
Fica pretinho e cheiroso
Como ele é, lá no Brasil
Como ele é, lá no Brasil
Para fazer um bom café, meu bem
Como se faz, lá no Brasil
Precisa ter um bom café, também
Como se tem, lá no Brasil
Tem de ser forte, como o bem
Que a gente tem pelo Brasil
Tem de ser doce, como o amor
Que a gente tem pelo Brasil
Você, seu moço estrangeiro
Só põe açúcar se quer
Mas sendo um bom brasileiro
O seu café vai ser doce
Como se fosse um carinho
O seu café vai ser doce
Como se fosse um beijinho
De uma mulher
Que faz um bom café
Lá no Brasil! Lá no Brasil!
Vinicius de Moraes foi para Carlos Drummond de Andrade, "o único poeta brasileiro que ousou viver sob o signo da paixão", mas que dizia de si mesmo nada mais ser que "um labirinto em busca de uma saída".
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